Foto: Suellen Lessa | Texto: Buanna Rosa 
Mais de 59 mil casos de câncer de mama devem ser diagnosticados no Brasil até o final de 2019. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer foi apresentada nesta segunda-feira (30/09) durante o lançamento das atividades da campanha Outubro Rosa – dedicada à prevenção do câncer de mama – realizada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Primeira vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Célia Regina da Silva afirmou ainda que cerca de 28% dos pacientes vão a óbito.Célia ainda destacou que os números do Rio de Janeiro não são bons e que o estado precisa avançar em políticas públicas de prevenção e combate ao câncer de mama “Infelizmente o Rio ainda é o estado em que as mulheres demoram mais para começar o tratamento depois de serem diagnosticadas com câncer”. A médica ainda lembrou que desde 2012 o país conta com a Lei Federal 12.732 que garante ao paciente com câncer o direito de se submeter ao primeiro tratamento no SUS, no prazo de até 60 dias contados a partir do dia em que for assinado o diagnóstico. No entanto, segundo ela, a norma não funciona no Rio de Janeiro.De acordo com o diretor da Sociedade Brasileira de Mastologia da Regional do Rio de Janeiro (SBM-RJ), Aleksandr Miyahira, no Rio, cerca de 15% das mulheres diagnosticadas recebem atendimento dentro do prazo previsto em lei. O médico ainda informou que a falta de profissionais nos hospitais de referência dificulta o diagnóstico e o início do tratamento. No Inca, em 2014 havia 21 mastologistas, mas atualmente o hospital conta com sete profissionais. “Há um sucateamento da rede de atendimento e a falta de estrutura tem sobrecarregado os médicos, o que no final só prejudica as mulheres que correm contra o tempo em busca de tratamento. É preciso abrir mais concursos e contratar mais médicos”, pontuou.O secretário de Estado de Saúde, Edmar Santos, disse que a pasta está comprometida com a causa e que desde janeiro tem buscado políticas de cooperação que garantam o acesso a mamografia, e que tem investido junto aos municípios na atenção primária, o que, segundo ele, aumenta a chance do diagnóstico precoce. “Estamos fazendo todo um esforço para melhorar o nosso atendimento nessa área. Estamos mudando todas as nossas UPAs e elas vão passar a contar com um espaço para realização de exames para diagnósticos de câncer”, afirmou Edmar.Capacita MulherDurante à tarde mais um debate sobre controle e prevenção de câncer de mama aconteceu na Alerj, como parte da campanha lançada nesta segunda-feira. A epidemiologista, Maria Beatriz Kneipp Dias, ressaltou que é possível reduzir os riscos de câncer de mama. Segundo ela, até um terço dos casos poderia ser evitado. “Manter o peso corporal adequado, praticar atividade física, evitar o consumo de bebidas alcoólicas são ações que podem ajudar a evitar a doença”, disse.De acordo Maria Beatriz, a Organização Mundial de Saúde recomenda que a mamografia de rotina seja para as mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos. “A mamografia nessa faixa etária feita de dois em dois anos são rotinas adotadas na maioria dos países que implantaram o rastreamento organizado do câncer de mama e baseiam-se na evidência científica do benefício dessa estratégia na redução da mortalidade nesse grupo e no balanço favorável entre riscos e benefícios”, explicou. 

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