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Verão: população deve redobrar cuidados contra o Aedes aegypti


8 de janeiro de 2017 102 visitas

Período de maior proliferação do mosquito exige mobilização para eliminar focos

O verão deve servir de alerta: o clima quente que tanto agrada os cariocas é também o favorito de um dos principais inimigos da saúde pública mundial. Com as condições de clima e temperatura ideais, o mosquito Aedes aegypti encontra o  ambiente perfeito para sua reprodução.

– Este é o momento em que precisamos ter ainda mais cuidado do que já temos ao longo do ano. É fundamental que todos se mobilizem, utilizando dez minutos por semana para vistoriar as próprias casas e eliminar possíveis focos. A prevenção ainda é a forma mais eficiente para se combater o vetor – explicou o secretário de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Jr.

Prevenção

Atualmente, três doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti estão sendo registradas no Rio de Janeiro: dengue, zika e chikungunya. Em 2017, este terceiro vírus é o que vem trazendo maior preocupação. Isso porque, por ser um vírus ainda considerado novo no país, ainda não houve contato intenso com a população.

– Tivemos já a presença do tipo 1 da dengue desde 2011, logo, boa parte da população já tem imunidade contra esse vírus. Em 2015 e 2016, tivemos a circulação intensa do vírus da zika, fazendo com que uma parte significativa das pessoas tenha sido exposta a ele. Portanto, a chikungunya é a doença que mais nos preocupa neste verão – afirmou Alexandre Chieppe, subsecretário de Vigilância em Saúde.

Esclareça suas dúvidas

Entre as doenças transmitidas, qual é a mais perigosa?

A chikungunya é uma doença parecida com a dengue, mas pode-se destacar que a primeira costuma se apresentar com febre bastante elevada de início súbito, acompanhada de fortes dores nas articulações. A doença costuma ter duas ondas: a primeira é a fase aguda da febre, dor no corpo e dor na articulação, e na segunda onda, as pessoas podem desenvolver sinais e sintomas por meses ou até anos. A doença pode causar uma incapacidade funcional durante semanas ou meses. Neste verão, a preocupação é ainda maior porque a população fluminense ainda não esteve exposta de forma intensa ao vírus e, por isso, ainda não tem imunidade contra ele.

Quais são os cuidados?

O cuidado para evitar as três doenças é o mesmo no mundo inteiro: acabar com os focos do mosquito transmissor. Com 10 minutos por dia, é possível eliminar os criadouros e com isso, evitar a proliferação do mosquito. Por isso, é preciso que haja uma mobilização de toda a sociedade nesta missão.

Por que o fumacê não é mais utilizado como forma de combate ao mosquito?

Trata-se de uma ação de exceção, que não resolve o problema. Isso porque

há uma incidência muito reduzida sobre o mosquito voando. O Aedes aegypti é um mosquito caseiro, de hábitos domésticos, que gosta de ficar parado, dentro de casa. O inseticida não é usado dentro de casa, até mesmo é nocivo para a saúde das pessoas.

Por que 10 minutos por semana?

A recomendação da Organização Mundial da Saúde é o combate ao vetor: o ciclo do mosquito, da fase larvar até a adulta, dura entre sete a dez dias. Com vistorias semanais, é possível evitar que ele se reproduza. É importante a mobilização de todos neste momento que antecede o período de maior transmissão dessas doenças, que vai até maio.

Qual é o tratamento para cada uma das doenças?

Não há tratamento específico para cada uma, e sim o tratamento dos sintomas. A recomendação se baseia no uso de acetaminofeno (paracetamol) ou dipirona, para febre e dor. Não se recomenda o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) e outros anti-inflamatórios, uma vez que podem aumentar o risco de complicações hemorrágicas. Os casos suspeitos devem ser tratados como dengue, devido à maior frequência e gravidade conhecida. Além disso, a hidratação e o repouso são essenciais.

Foto: André Gomes de Melo