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Tiroteios e explosões deixam mais de 100 mortos em Paris


14 de novembro de 2015 181 visitas

Sete ataques terroristas deixaram ao menos 153 mortos; presidente François Hollande decretou estado de emergência

Paris está novamente sob ataque. Cerca de 10 meses depois do atentado à redação do jornal satírico “Charlie Hebdo”, sete tiroteios foram registrados em pontos diferentes da capital francesa nesta sexta-feira (13). O Corpo de Bombeiros e a Prefeitura de Paris já contabilizam ao menos 153 mortos.

Em entrevista coletiva, o presidente da França, François Hollande, decretou estado de urgência, o que não acontecia há dez anos, e ordenou o fechamento das fronteiras. “As autoridades devem ser duras e serenas. O que os terroristas querem é nos colocar medo. Temos de mostrar sangue frio diante do terror”, afirmou na ocasião. “Ainda não terminamos as operações, há coisas difíceis pela frente. Eu peço que vocês mantenham a confiança. Viva a República e viva a França.”

Três explosões atingiram a região do estádio Stade de France, em Saint-Denis, no norte de Paris, o momento em que estava acontecendo um amistoso entre a seleção local e a Alemanha. O presidente François Hollande estava na arena e precisou ser evacuado. No primeiro tiroteio, um indivíduo abriu fogo com um fuzil no restaurante Petit Cambodge e, de acordo com a emissora “BFM-TV”, matou “várias pessoas”. Três mortes foram contabilizadas nessa área.

A emissora entrevistou uma testemunha dos disparos no restaurante, Anne-Sophie. “Todo mundo estava do lado de fora, no terraço do restaurante, quando de repente vimos homens mascaradas atirando em todas as direções. Pareceu ter durado muito tempo.” Ela disse que havia “uma quantidade enorme de feridos”.

“Ouvi tiros. As pessoas se jogaram no chão. Colocamos uma mesa sobre nossas cabeças para nos proteger. Ficamos presos no bar porque havia uma pilha de corpos na nossa frente”, disse Ben Grant, que estava em um bar com sua mulher quando um dos ataques ocorreu. Ele disse ter visto seis ou sete corpos no chão e ouvido que os tiros foram disparados a partir de carros.

Outras centenas de pessoas foram feitas reféns em uma casa de show chamada Bataclan. Segundo a “BFM-TV”, ao menos 50 disparos atingiram o local por 10 minutos uma hora após o início de um show da banda californiana Eagles of Death Metal.

A página oficial da banda no Facebook disse: “Ainda estamos tentando determinar a segurança e a localização de nossa banda e equipe. Nossos pensamentos estão com todas as pessoas envolvidas nesta situação trágica.”

Logo após a publicação nas redes sociais, a esposa do baterista Julian Dorio, Emily, disse que todos estão bem. Segundo o The Washington Post, Emily conversou com o músico, que está a salvo, assim como todos os integrantes da banda, que deixaram o local com o início dos disparos.

Depois de muitas horas de insistência, os policiais invadiram a casa de show para resgatar os reféns. No entanto, foi constatado que 100 reféns foram mortos no local. Segundo informações do presidente francês, todos os terroristas que estava no estabelecimento morreram, apesar de não se saber ainda se eles eram suicidas.

Dois brasileiros foram feridos nos ataques desta noite, disse a cônsul-geral do Brasil na França, Maria Edileuza Fontenele Reis. Eles estavam no restaurante Le Petit Cambodge, um dos locais onde ocorreram tiroteios na capital francesa.

Um dos feridos, um arquiteto que está na cidade para eventos profissionais, levou três tiros nas costas, segundo a cônsul-geral, e está sendo operado neste momento. Seu estado é bem grave, afirmou ela. A outra vítima brasileira, que foi atingida de raspão, seria uma estudante que mora em Paris. De acordo com a cônsul, os dois estariam jantando com um grupo de amigos no local quando houve o ataque.

O presidente François Hollande, que chegou ao Bataclan, afirmou que o país será implacável no combate a terroristas, informa Katya Adler, editora de Europa da BBC. Os moradores e turistas foram orientados a não sair às ruas e militares estão espalhados pela cidade.

O editor do programa Newsnight, da BBC, tuíta que nenhum grupo assumiu a autoria dos incidentes em Paris nesta noite, mas que “apoiadores do (grupo autodenominado) ‘Estado Islâmico’ estão comemorando o ataque nas mídias sociais com a hashtag ‘Paris in Flames’ (Paris em chamas)”.

Pessoas que moram perto dos locais onde ocorreram disparos estão oferecendo abrigo a quem está nos arredores por meio da hashtag #PorteOuverte (portas abertas) nas redes sociais. Segundo relatos do Facebook, taxistas estariam desligando seus taxímetros para levarem as pessoas para suas casas.

Após os ataques, Hollande iniciou uma reunião de emergência no Ministério do Interior. O presidente seguiu depois para o Palácio do Eliseu para uma segunda reunião e foi direto para a casa de shows Bataclan.

Pelo Twitter, a presidente Dilma Rousseff se pronunciou sobre os ataques na França. “Consternada pela barbárie terrorista, expresso meu repúdio à violência e manifesto minha soliedariedade ao povo e ao governo francês”, publicou na rede social.

O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota em que manifesta a “profunda consternação” do governo brasileiro “pela série de bárbaros atentados ocorridos na noite desta sexta-feira em Paris, que resultaram em várias dezenas de vítimas, entre mortos e feridos.”

“Ao mesmo tempo em que transmite suas condolências aos familiares das vítimas e empenha sua plena solidariedade ao povo francês e ao Governo da França, o Brasil condena os ataques nos mais fortes termos e reitera seu firme repúdio a qualquer forma de terrorismo, qualquer que seja sua motivação”, diz o comunicado.

Ban-Ki-moon, secretário-geral da ONU, condenou aquilo que chamou de “desprezíveis ataques terroristas”. “Ele exige a imediata libertação das várias pessoas mantidas reféns no teatro Bataclan”, declarou seu porta-voz. “O secretário-geral oferece suas mais profundas condolências às famílias das vítimas e deseja a rápida recuperação dos feridos.”

Os tiroteios reacendem o clima de terror instaurado na cidade em janeiro passado, quando dois homens armados invadiram a sede do “Charlie Hebdo” e mataram 12 pessoas. Dois dias depois, outro jihadista sequestrou um mercado kosher em Paris e deixou quatro mortos. Antes disso, ele já havia matado uma policial durante uma troca de tiros.