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Prefeito do Rio e presidente de escolas de samba se reúnem após redução de verba


29 de junho de 2017 202 visitas

Crivella afirmou que vai se empenhar ao máximo para conseguir mais verbas com a iniciativa privada para ajudar as escolas

O DIA

Rio – O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e os presidentes e vices das escolas de samba do Grupo Especial se reuniram na manhã desta quarta-feira para discutir os rumos da festa. O encontro durou quase duas horas e meia e ocorreu após o anúncio da redução em 50% da ajuda financeira para as agremiações. Segundo Crivella, a verba de R$ 1 milhão será destinada para creches, mas prometeu dar R$ 1 milhão de subvenção a cada agremiação, ao contrário dos anos anteriores, ainda em 2017.

O prefeito também disse que vai se empenhar ao máximo para conseguir mais verbas com a iniciativa privada para ajudar na subvenção. “Vou lutar muito para conseguir os recursos para o Carnaval. Hoje, demos o primeiro passo para um acordo. Fundamos o bloco ‘É conversando que a gente se entende’. Além do Marcelo Alves (presidente da Riotur), estão comigo para ajudar vocês pessoas como o Boni, Roberto Medina e Ricardo Amaral, todos interessados em encontrar uma solução”.

Presidente estavam insatisfeitos com teor da reuniãoMaíra Coelho / Agência O Dia

Crivella também recordou seu compromisso em melhorar as condições do Sambódromo, como a substituição da iluminação para lâmpadas de led, a instalação de telões e outros reparos estruturais. Só com a reforma dos 36 banheiros coletivos e dos assentos das arquibancadas, por exemplo, o gasto da Prefeitura será de R$ 1,1 milhão, de acordo com o orçamento feito pela Riourbe, após vistoria realizada há 15 dias. No carnaval deste ano, a Prefeitura teve um gasto de R$ 19 milhões com toda a operação, além do pagamento de subvenção às escolas.

A reunião acabou às 10h20 e os representantes das agremiações saíram insatisfeitos do encontro. O mais nervoso era o presidente da União da Ilha. Todos os mandatários se reuniram no estaciomento do local para discutir o que foi conversado com o prefeito. Entretanto, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) avaliou como positiva a conversa e disse que o carnaval do ano que vem está garantido.

“Tanto as escolas, a Liesa, e a prefeitura vão fazer um esforço para chegar a um consenso e certamente está garantido o carnaval de 2018 com toda a beleza e o trabalho feito com brilhantismo pelas escolas e com o setor público também”, disse Jorge Castanheira.

Castanheira avaliou como proveitosa a reunião, onde foram apresentadas as dificuldades da prefeitura, assim como das escolas de samba, que já estão trabalhando e contrataram equipes para o carnaval de 2018. Uma próxima reunião foi marcada para segunda-feira.

“O prefeito nos recebeu muito bem, com representantes do governo, nos mostrou todo o quadro da realidade da prefeitura e também falamos, cada um dos presidentes pode falar do drama que também estamos passando. Nós combinamos uma próxima reunião, na segunda-feira. Trouxemos nossas reivindicações para o prefeito e toda a sua equipe, em função do carnaval já ter sido iniciado, as escolas já contrataram trabalhadores. Ele está avaliando junto a Riotur qual modelo poderia ser sugerido para que o carnaval não deixasse de ter o mesmo impacto positivo para a cidade, o mesmo brilho, a mesma qualidade”, explicou.

O presidente da Liesa disse que a audiência da próxima semana será decidido se será mantido ou não o corte de 50% na verba para as escolas de samba. “Deverá ser reavaliado o corte. Chega-se a um momento em que poderemos ter na segunda-feira uma solução positiva para todos. Ele ficou de resolver com a Riotur e toda a sua equipe para chegarmos a uma conclusão de números. Ele não voltou atrás, não se trata de ir ou vir. É a primeira reunião que nós tivemos, com todas as escolas, e nos atendeu prontamente, e daqui estamos buscando uma solução de consenso que atenda à todos.”

A secretária Municipal de Fazenda, Maria Eduarda Gouvêa Berto, fez uma apresentação sobre o desafio fiscal da atual gestão, com um déficit no orçamento de R$ 3,8 bilhões e a queda no nível de emprego no município. Logo em seguida, o presidente da Riotur, Marcelo Alves, exaltou o potencial comercial do carnaval e disse que tem três projetos para apresentar à Liesa. Ele fez uma comparação com o Rock in Rio, evento que fatura cerca de R$ 250 milhões e tem um lucro de R$ 100 milhões. “O desfile das escolas de samba precisa se atualizar num grande projeto de marketing. As grandes marcas querem estar no carnaval. A festa na Sapucaí tem 10 vezes mais potencial de faturamento que o Rock in Rio. Temos que buscar juntos uma solução”, afirmou.

Estiveram no encontro os presidentes e representantes das 13 escolas de samba do Grupo Especial: o presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta; o presidente da Imperatriz Leopoldinense, Luizinho Drummond; da União da Ilha, Ney Filardis; da Portela, Luiz Carlos Magalhães; o vice-presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco; o presidente da São Clemente, Renato Almeida Gomes; da Paraíso do Tuiuti, Renato Thor; a presidente do Salgueiro, Regina Celi; a presidente do Império Serrano, Vera Lúcia Correa; o vice da Vila Isabel, Fernando Fernandes; o presidente da Mangueira, Chiquinho da Mangueira; o vice-presidente da Beija Flor, Ricardo Abrãao; e o presidente da Grande Rio, Milton Perácio.

Preços dos ingressos serão mantidos

Na reunião ficou decidido que os ingressos para a festa na Marquês de Sapucaí não serão reajustados no ano que vem. “De antemão, em conjunto com a Riotur, decidimos manter os preços dos ingressos do carnaval passado, o sexto ano sem reajuste de preços, mas buscando manter o nível do carnaval”, disse Castanheira.

O anúncio do encontro foi divulgado com exclusividade pela colunista Leo Dias. Os primeiros a chegar para a reunião, no gabinete do prefeito, foram Chiquinho da Mangueira, presidente da escola Verde e Rosa, e Regina Celi, presidente do Salgueiro.

Esta foi primeira reunião entre prefeitura e os representantes das escolas de samba após o anúncio da redução da verba destinada às escolas, que voltou a ser de R$ 1 milhão por agremiação. Na tentativa do primeiro encontro, Crivella desmarcou por conta da agenda. Na segunda vez, Castanheira, presidente da Liesa, que desmarcou.

Ainda segundo a coluna do Leo Dias, à noite haverá uma plenária na sede da Liesa para definir o futuro da festa. Em pauta, o corte da verba para a organização do Carnaval e o resultado da reunião com o prefeito Marcelo Crivella.

Com reportagem do estagiário Rafael Nascimento, sob supervisão de Cadu Bruno