Voltar

Notícias

PMDB oficializa nesta terça-feira desembarque do governo Dilma


29 de março de 2016 146 visitas

Foco do Planalto a partir de agora é segurar a maior parcela possível do partido no movimento contrário ao impeachment

O DIA E ESTADÃO CONTEÚDO
Rio – A cada dia que passa fica mais difícil o governo conseguir os 172 votos necessários para barrar o impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Nem mesmo a articulação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu brecar a decisão do PMDB de oficializar hoje o desembarque do partido da base aliada do governo.

Em meio à saída dos peemedebistas, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) protocolou nesta segunda um novo pedido de impeachment da presidente Dilma. Manifestantes contrários e favoráveis ao afastamento trocaram provocações e xingamentos no Salão Verde da Câmara ao longo da tarde.

Com a decisão do PMDB de abandonar a base aliada, o foco do Palácio do Planalto a partir de agora é tentar segurar a maior parcela possível do partido no movimento contrário ao impeachment. O temor é que a saída do PMDB acabe influenciando outros partidos aliados. Parte da bancada de 69 deputados é favorável à permanência de Dilma. A debandada dos peemedebistas do governo será por aclamação, ou seja, sem contagem de votos. Com isso, a ala pró-Dilma não precisará se expor na reunião do diretório hoje.

A saída do PMDB do governo é resultado de articulação promovida pelo grupo do vice-presidente Michel Temer. A ideia é que os sete ministros do partido deixem seus cargos até o dia 12 de abril. A primeira baixa foi do ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, que redigiu ontem carta em que pede demissão do governo. Henrique é do grupo próximo a Temer.

Apontado como o “último bastião” do governismo no PMDB, o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), deu sinal verde, ontem, para o desembarque do partido do governo. Temer não presidirá a reunião do diretório nacional do PMDB nem os ministros peemedebistas irão ao encontro.
No domingo à noite, o vice Michel Temer se reuniu com o ex-presidente Lula e avisou que o PMDB iria deixar o governo. A debandada do partido foi agravada nos últimos dias com a exposição das posições anti-Dilma dos maiores diretórios estaduais da sigla, como Rio de Janeiro e Minas Gerais.

OAB

Ao entregar o pedido de impeachment de Dilma ontem, na Câmara dos Deputados, o presidente OAB, Claudio Lamachia, e outros integrantes da Ordem precisaram ser escoltados pela Polícia Legislativa. Pessoas que defendiam o afastamento de Dilma e integrantes da OAB fizeram um cordão de isolamento em torno dos autores do requerimento.

Com o tumulto no protocolo, o pedido foi apresentado à Secretaria-Geral da Mesa. No requerimento da OAB, a entidade incluiu como justificativas o conteúdo da delação premiada do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS), as chamadas “pedaladas fiscais”, as renúncias fiscais em favor da Fifa na Copa de 2014 e a tentativa de nomeação do ex-presidente Luiz Lula como chefe da Casa Civil.

Lula espera que Moro atue com justiça

O ex-presidente Lula disse ontem, em entrevista coletiva à imprensa internacional, que mantém esperança em uma atuação de Sergio Moro condizente com a Justiça em relação a todas as pessoas investigadas na Lava Jato.

“Espero que Deus ponha a mão na cabeça dele, que seja justo com as pessoas que está analisando e julgando. Só espero isso. Não quero nada mais, nada menos, quero ter o tratamento que todo cidadão brasileiro tenha neste País”, afirmou.

O ex-presidente petista disse que considera Moro uma pessoa competente, mas que pode ter sido picado pela “mosca azul”, expressão comumente usada para se referir àqueles que têm ambição por prestígio ou poder acima do desejável.

Lula afirmou que se sentiu “ofendido” com a divulgação de grampos telefônicos envolvendo suas conversas com a presidente Dilma e com o prefeito do Rio, Eduardo Paes. “Acho que o juiz deveria ter muita responsabilidade e não confundir conversas de ordem pessoal com conversas públicas”, reclamou o ex-presidente.

Lula também reclamou da atuação da mídia no caso. “Deprimente, pobre e de má-fé. Duvido de quem nesse país não fale por telefone, com parentes ou com amigos, qualquer bobagem. Fico imaginando se a gente tornar hábito começar a divulgar as gravações que cada um de nós faz. Não contribui em nada com a democracia”, disse Lula.

Aclamação não significa unanimidade, diz Leonardo Picciani

Reeleito líder do PMDB na Câmara com a ajuda do Palácio do Planalto, o deputado Leonardo Picciani (RJ) é um dos poucos peemedebistas do Rio que é contrário ao desembarque do partido do governo Dilma Rousseff. Mesmo assim, Picciani, como os demais ministros do PMDB, não vai à reunião de hoje que irá bater o martelo pelo rompimento com a presidente Dilma. A estratégia da cúpula do partido é evitar a exposição de peemedebistas pró-governo.1. A saída do PMDB do governo, anunciada para hoje, é um de golpe de misericórdia?
— Não necessariamente. O partido está buscando um entendimento para que esta decisão seja mais branda. Estamos construindo uma saída do governo que não rache o partido, justamente porque esta saída não é um consenso. Aclamação não quer dizer unanimidade, mas uma saída para evitar problemas dentro do partido.

2. E qual a relação da decisão de amanhã com o processo de impeachment, na sua avaliação?
— A decisão de amanhã não tem necessariamente a ver com o impeachment. É uma questão unicamente sobre os cargos que o partido tem no governo.

3. Ainda há alguma chance de a reunião ser adiada, como querem os peemedebistas que estão ao lado do governo?
— Não. O adiamento da reunião é algo que já foi superado dentro do PMDB. Quem é contra (a saída do partido do governo) fez esta concessão aos que são a favor.

4. Houve alguma mudança significativa dentro do partido nos últimos dias, na cúpula ou na base, em relação ao apoio ao governo no processo de impeachment?
— Esta questão ainda terá uma variação muito grande até a data do desfecho. É cedo para afirmar alguma coisa.

5. E em relação à posição do partido no Rio de Janeiro?
— O diretório estadual já decidiu pela entrega dos cargos. Mas assim como na executiva nacional, não há unanimidade. Eu sou um exemplo disso. Continuo defendendo a participação do PMDB no governo federal.
Por Caio Barbosa