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PARATY-CUNHA LIGARÁ RIO A SÃO PAULO PELA SERRA


7 de março de 2016 293 visitas

Governo do Estado inaugura rodovia este mês

Depois de mais de 40 anos de tentativas para reconstruir o antigo Caminho Velho do Ouro, em Paraty, o Governo do Estado do Rio de Janeiro inaugura, este mês, a rodovia Paraty-Cunha, na Serra da Bocaina. A estrada liga Paraty, na Costa Verde fluminense, a Cunha, no Vale do Paraíba, em São Paulo.

O término das obras, executadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ), órgão vinculado à Secretaria de Obras, tira do papel uma antiga reivindicação dos moradores de Paraty. Com 9,4 quilômetros dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina, a estrada liga a BR-101, na altura de Paraty, a Cunha e à sua principal via de acesso, a Via Dutra. A obra custou R$ 105 milhões, com investimentos da Eletronuclear, como compensação ambiental, e do Governo do Estado, por intermédio de financiamento do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

– Essa obra é esperada há mais de 40 anos, e a sua conclusão representa o resgate de um sonho de devolver a Paraty uma saída pela serra. Além de incrementar o turismo das regiões, vai servir para preservar a fauna e flora da Serra da Bocaina. Ganha a economia das duas cidades e o meio ambiente – disse o governador Luiz Fernando Pezão.

>>> População beneficiada – De acordo com o diretor-executivo da Câmara Metropolitana do Rio de Janeiro, Vicente Loureiro, a distância entre Paraty e Cunha será encurtada em 270 quilômetros, ou seja, mais de duas horas.

– Isso é um ganho fantástico no ir e vir das pessoas, principalmente para quem mora em Paraty e necessita, por exemplo, fazer tratamento médico especializado, como hemodiálise, em Taubaté. Ou a colônia de pescadores de Paraty que poderá levar com mais rapidez o produto do seu trabalho para vender em São Paulo – afirmou Loureiro.

Especialistas monitoram fauna e flora da Costa Verde

Por ser uma estrada-parque, houve várias exigências por parte dos órgãos públicos, desde a elaboração dos projetos à execução da obra. Para elaborar o plano básico ambiental, o Estado contratou um grupo de 55 profissionais, entre professores, pesquisadores e auxiliares da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), responsável pela sua formulação, gestão ambiental da obra e implantação de programas com ações, desde o acompanhamento arqueológico das frentes de trabalho e o monitoramento da fauna e da flora, passando pela disseminação de atividades educativas com palestras nas escolas das duas cidades, e a sensibilização das comunidades para o uso consciente da rodovia.

O projeto de engenharia também se adaptou às características exigidas para uma estrada-parque, mantendo, basicamente, o traçado original da via remanescente do Velho Caminho do Ouro, para evitar grandes movimentações de terra ou alterações na vegetação, que provocariam impacto na região.

– Trabalhamos compartilhando as decisões do andamento com vários profissionais, como arqueólogos, biólogos e até veterinários – disse o engenheiro Renato Romero, fiscal do DER, referindo-se à equipe multidisciplinar da Uerj.

>>> Pavimentação – Pequenos blocos de concreto que cobrem a pista – exigência do Ibama para diminuir a velocidade dos veículos e não poluir o ambiente – lembram a pavimentação do Velho Caminho do Ouro com pedras “pé de moleque”.

O Parque Nacional da Serra da Bocaina foi considerado uma das áreas mais importantes para a conservação das aves do país, concentrando 57% das espécies endêmicas da Mata Atlântica.

Nos monitoramentos, os pesquisadores identificaram 288 espécies de aves, entre elas duas listadas como globalmente ameaçadas de extinção: a marialeque-do-sudeste (Onychorhynchus swainsoni) e a choquinha-pequena (Myrmotherula minor). O levantamento revelou ainda uma das maiores densidades de rãs, sapos e pererecas florestais já vistas em estudos ecológicos em um bioma da Mata Atlântica.

Entre os mamíferos, há 82 espécies, sendo 39 ameaçadas de extinção, com destaque para macaco bugio (Alouatta guariba), onça-parda (Puma concolor), sagui-da- serra-escuro (Callithrix aurita) e o roedor Blarinomys breviceps, considerado extinto no Estado do Rio.

Para proteger os animais, o projeto construiu cinco zoopassagens subterrâneas e quatro aéreas, em trechos escolhidos pelos especialistas da Uerj com base no estudo do comportamento e hábitos dos animais. Esta é a segunda experiência do grupo da Uerj e do governo na construção de uma estrada-parque no estado. A primeira foi a Capelinha-Mauá, no município de Resende, no Médio Paraíba.

– As passagens aéreas de Paraty-Cunha representam uma evolução em relação à solução usada para Capelinha-Mauá – explicou o engenheiro Josué Setta, coordenador do grupo multidisciplinar da Uerj.