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Lugares em que o Aedes aegypti se ‘esconde’ e você não sabe


10 de março de 2016 318 visitas

Cuidados devem ir além do esvaziamento de pratinhos de planta e pneus; mosquito pode depositar ovos em privadas, sacos de lixo, ralos e até em algumas espécies de plantas

Com a preocupante propagação das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti – zika vírus, febre chikungunya e dengue -, se tornou ainda mais imprescindível o combate ao mosquito. Todo mundo sabe (ou deveria saber) que pratinhos de planta e pneus velhos podem se tornar criadouros, mas há vários outros locais e objetos insuspeitos aos quais é necessário ficar atento.

“Em princípio, qualquer lugar que acumule água é um possível criadouro. Temos que observar no ambiente as coisas que estejam acumulando água. Até uma tampinha de garrafa de água ou refrigerante virada para cima, que fique semanas no quintal, pode ser perigosa. Ou então um brinquedo, dependendo do seu desenho. Um caminhãozinho com caçamba, por exemplo”, alerta Ícaro Boszczowski, infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. O especialista reforça que estes lugares nunca devem ser subestimados. “Algo particular da sua residência pode surpreender. Se não é possível remover a água deste local, ele precisa ser limpo diariamente.”

Quem tem quintal em casa ou deixa objetos expostos a céu aberto precisa ter cuidado redobrado. Piscinas e caixas d`água abertas e sem vedação são claros criadouros em potencial, mas até calhas, telhas e sacos de lixo devem ser checados, como aponta Ralcyon Teixeira, médico infectologista e supervisor do Pronto-Socorro do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

“O ciclo da larva para virar mosquito leva em torno de 10 dias. Se os sacos de lixo forem recolhidos rapidamente, não há o que temer. O preocupante é que ele fique ali jogado por mais de uma semana. Lonas de plástico também são perigosas. E não precisa nem ser muito profunda, basta que esteja ali sem ninguém mexer por alguns dias.”

Perigo dentro de casa

A atenção não deve ser voltada apenas para o quintal. Dentro de casa, mesmo protegidos da chuva, há locais propícios para que o Aedes aegypti coloque seus ovos.

“Em banheiros pouco utilizados, ou em uma casa em que há edícula, há a possibilidade de que alguns vasos sanitários fiquem sem descarga durante tempo prolongado, e se tornem propícios para o mosquito”, afirma Boszczowski.

Teixeira indica uma medida profícua no combate ao mosquito. “É interessante ainda jogar sabão em pó nos ralos, onde há acúmulo de água e não é possível drenar. O sabão inutiliza os ovos e as larvas”, completa. Bromélias e orquídeas

Mesmo as plantas que não estão em pratinhos podem se tornar um criadouro propício para que o Aedes aegypti deposite seus ovos. Algumas espécies, como bromélias e orquídeas, possuem orifícios em que é possível acumular água.

“Bromélias devem ser regadas mais na parte de baixo, da terra. Não devemos jogar água nos vasos dela. De qualquer forma, nesse período de chuva, a água acumula”, explica Teixeira.

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No entanto, não é necessário se livrar das plantinhas. De acordo com o médico, há formas de impedir que o mosquito transforme-as em focos das doenças.

“Você diminuirá bastante o risco cobrindo os vasos com borra de café. Para planta, utilize hipoclorito de sódio. Pegue uma colherzinha de água sanitária, dilua em um balde com mais ou menos 1 litro de água, mexa bastante e coloque um pouquinho dessa solução no local em que a planta está com água. A substância mata os mosquitos e, com uma concentração bem diluída, não irá prejudicar a planta.”

Pratinhos dos animais

Quem tem animais em casa também precisa ficar atento. Os recipientes de água em que cachorros, gatos e outros pets matam a sede podem se tornar foco do Aedes, e devem ser limpos.

“O Aedes aegypti tem a capacidade de depositar os ovos na lateral dos pratinhos. Mesmo que a água seja trocada diariamente, pegue os recipientes e limpe bem com uma escovinha, uma vez por semana. A escova não precisa ser muito grossa, e é importante esfregar na lateral. Se a larva estiver ali, você impede que ela complete o ciclo e vire o mosquito”, ensina Teixeira.