Caravana cordeirense participa de manifestação pública questão dos ‘royalties no Rio de Janeiro
A última quarta-feira, dia 17, talvez tenha sido o ‘dia D’ da campanha intitulada ‘Contra a Covardia – Em Defesa do Rio’. Convocada pelo governador Sérgio Cabral – com o objetivo de protestar contra a emenda proposta pelo deputado federal gaúcho Ibsen Pinheiro, com vistas à redistribuição dos royalties do petróleo produzido pelo Rio de Janeiro entre todos os estados e municípios do país – foi realizada, na capital fluminense, uma gigantesca passeata popular seguida de um showmício, que reuniu milhares de pessoas na Cinelândia, centro nervoso da ‘Cidade Maravilhosa’.
É oportuno ressaltar que a iniciativa contou com adesão de todos os segmentos da sociedade nos quatro cantos do estado e que o protesto pacífico defendeu a manutenção da atual forma de obtenção de recursos com o petróleo, já que uma mudança significaria prejuízos inestimáveis a quase todos os 92 municípios fluminenses.
As intenções do projeto
Para que a maioria das pessoas possa entender o que se passa, o projeto do deputado do Rio Grande do Sul tem apoio da maioria dos estados e prefeituras e já foi aprovado na Câmara dos Deputados, mas irá representar, se colocado em prática, enormes perdas para o estado do Rio e suas prefeituras, pois os recursos oriundos da extração de petróleo passariam a ser destinados a todo país, desprestigiando os estados produtores, no qual o Rio de Janeiro aparece como principal destaque. O projeto agora está tramitando no Senado Federal.
A aprovação da emenda pode se transformar num prejuízo de aproximadamente R$ 5 bilhões por ano aos cofres do Estado do Rio e R$ 2 bilhões às prefeituras fluminenses, sendo as cidades da zona petrolífera como Campos, Rio das Ostras e Macaé as mais prejudicadas.
Vale ressaltar que a imprensa escrita, falada e televisada de todo o território estadual está oferecendo amplo destaque ao evento, já que, efetivamente, ‘comprou’ a briga do governador e dos prefeitos do Estado.
Ratificando essa posição, durante a passeata, a Rádio 94 FM de Cordeiro interrompeu sua programação normal diversas vezes para transmitir flashes ao vivo, direto do Rio de Janeiro, com o correspondente Ricardo Vieira, que entrevistou diversas autoridades presentes, entre as quais os secretários de estado Christino Áureo e Benedita da Silva; os deputados Tucalo, Délio Leal e Laura Carneiro; os prefeitos Silvio Daflon (Cordeiro), Affonso Monnerat (Bom Jardim); Geraldo Pietrani (São Sebastião do Alto) e Rogério Bianchini (Macuco); e o Coronel da Polícia Militar Hudson de Aguiar Miranda.
Comemorando o sucesso
Feliz com o desdobramento da passeata, o governador Sérgio Cabral demonstrou empolgação com o público presente. “Mostramos o quanto a população está solidária à causa e o nosso respeito ao Rio de Janeiro, nosso respeito à Constituição, pois estamos defendendo nossos recursos. Quando eu vi tanta chuva, achei que não conseguiríamos reunir tanta gente. Creio que tenhamos dado o recado e eu fico satisfeito com isso”, disse o governador.
Sobre o fato de não ter se pronunciado à multidão, Cabral explicou que optou por deixar que o prefeito Eduardo Paes o fizesse depois de uma decisão em grupo tomada antes e sugerida pelo governador do Espírito Santo, Paulo Hartung. Segundo o mandatário fluminense, a decisão evitou que as manifestações de palanque tivessem um caráter eleitoral.
Também participaram ativamente o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, os senadores Marcelo Crivella e Francisco Dornelles, os deputados federais Fernando Gabeira e Glauber Braga, entre outras autoridades.
Pela internet, um abaixo-assinado já reúne cerca de 20 mil assinaturas. O documento está sendo realizado para ser entregue aos senadores em Brasília para pedir o veto à proposta Ibsen que redistribui os royalties do petróleo. As assinaturas podem ser feitas pelo site www.assinepelorio.com.br . Basta colocar o nome, a identidade e o e-mail.
Cordeiro entra na ‘briga’
Nem mesmo a constante chuva que caiu sobre a capital foi capaz de esfriar os ânimos dos manifestantes. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 150 mil pessoas saíram das proximidades da Igreja da Candelária com destino à Cinelândia, onde, em frente à sede da Câmara Municipal, acompanharam as apresentações de artistas de diversos segmentos.
Não menos indignado com as possíveis perdas que a aprovação da emenda pode representar para o futuro de seu município, o prefeito de Cordeiro, Silvinho Daflon, desde o começo se mostrou coeso, deixando transparecer, por meio de entrevistas concedidas, que aderiu de corpo e alma às manifestações.