ALERJ CASSA, POR 36 VOTOS A 24, O MANDATO DE ÁLVARO LINS A Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou, em votação secreta, por 36 votos a 24, na noite desta terça-feira (12/08), o projeto de resolução que decreta a cassação do mandato do deputado Álvaro Lins (PMDB), acusado de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção passiva e facilitação ao contrabando. Três deputados se abstiveram e sete faltaram à sessão. O projeto, número 663/08, foi criado a partir da aprovação, na última semana, do relatório do Conselho de Ética, que confirmava a quebra de decoro parlamentar e indicava a punição máxima ao deputado, alvo de investigação pela Polícia Federal. Segundo o corregedor da Casa, deputado Luiz Paulo (PSDB) ? autor da representação por quebra de decoro que deu início às investigações pelo Conselho ? a decisão do plenário referendou sua indicação. "Houve tempo suficiente para analisarmos o relatório da PF. Neste caso, não existem satisfações pessoais, mas a certeza de que as instâncias da Assembléia cumpriram o seu papel. A Casa votou a favor do Parlamento", defendeu o tucano, que foi o primeiro parlamentar a discursar em defesa da cassação, tendo sido seguido por dez colegas. Ninguém discursou a favor de Lins, cuja cassação permitirá a efetivação do suplente Délio Leal, que já está na Casa, e a posse de Renato de Jesus ? ambos do PMDB. A deputada Cidinha Campos (PDT), uma das que discursaram a favor da cassação, declarou que a imagem da Casa pôde, enfim, ser refeita. "É uma vitória ética que ajuda a preservar a imagem da instituição. Foi emocionante, uma resposta à altura da Casa, que reagiu mostrando que 'roubou, cassou'", declarou a parlamentar, cumprimentando pessoas que se manifestavam pela cassação nas galerias do plenário. O deputado Marcelo Freixo (PSol), antigo defensor da perda de mandato do ex-chefe da Polícia Civil, também se mostrou satisfeito com o resultado. "Não é fácil cassar com voto secreto. Aqui já tem muito Batman, muito super-herói, e não é o lugar disso, é o lugar da ética. Mas, mesmo com o placar apertado, o que fica é o fortalecimento do Estado Democrático de Direito", afirmou, referindo-se ao discurso de Lins, que chegou a dizer que "Os jornais não gostam dos heróis", fazendo alusão aos filmes do Homem-Aranha e do Batman. Antes do início da votação, Lins defendeu por meia hora seu mandato, em um discurso em que se queixou da influência da imprensa sobre as decisões políticas, citou o livro "A revolução dos Bichos", de George Orwell, e o poeta paraibano Augusto dos Anjos, e questionou o que chamou de julgamento precipitado. "O deputado Álvaro Lins é um constitucionalista e, como tal, sabe exercitar a defesa para sensibilizar o plenário. Mas o relatório que apresentamos foi bastante robusto e não cabe recurso", frisou Luiz Paulo. A Alerj começou a investigar Lins em junho As investigações sobre a conduta do parlamentar cassado começaram no dia 2 de junho, quando a Mesa Diretora da Casa entregou à Corregedoria os autos da investigação policial que citava o parlamentar. A decisão já havia sido comunicada no dia 30 de maio, logo após o plenário ter considerado ilegal a prisão em flagrante do deputado, feita um dia antes. "Naquele momento, o que se avaliou foi a legalidade da prisão, não seu mérito. Mas, logo em seguida, a Casa deu início à análise do decoro", lembrou Luiz Paulo. Dois dias depois, o órgão iniciou a sindicância, ouvindo o parlamentar em reunião fechada. Na época, Luiz Paulo e o corregedor-substituto, Comte Bittencourt (PPS), anteciparam a constatação de quebra de decoro, confirmada pelo plenário esta noite. "O deputado Álvaro Lins teve o pleno direito de defesa durante todo o processo. O relatório que foi feito e que embasou a cassação do deputado foi mais do que substancial, tanto que foi confirmado pela maioria absoluta no plenário.", assegurou Bittencourt. No dia 10 de junho, a Mesa Diretora encaminhou a representação por quebra de decoro feita pela Corregedoria ao Conselho de Ética, cujos trabalhos de investigação dos dados se encerraram na última semana, com a aprovação do relatório do deputado Audir Santana (PSC) recomendando a cassação.
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