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Datafolha: sobe para 68% apoio à saída da presidente Dilma


20 de março de 2016 224 visitas

Só 16% aprovam Temer. Com rejeição recorde, Lula ainda é melhor ex-presidente

O DIA
Rio – O maremoto político que sacudiu a semana no Brasil já pode ser medido em números. Pesquisa Datafolha revela que cresceu para 68% o apoio ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. O aumento foi de 8% em um mês. Ainda segundo o levantamento, 65% acham que Dilma deveria renunciar à Presidência. O levantamento foi feito entre quarta e quinta-feira, os dias mais turbulentos da crise até o momento.

Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que apenas 16% querem o vice-presidente Michel Temer (PMDB) chefiando o país. Para 35%, um eventual governo de Temer seria ruim ou péssimo.Apesar de alcança 57% de taxa de rejeição, a maior desde 1994, Lula continua a ser apontado, em sondagem espontânea, como o melhor presidente que o Brasil já teve: 35%, contra 16% para Fernando Henrique Cardoso. A maioria (68%), porém, acredita que ele aceitou o convite para ser ministro da Casa Civil para se livrar das investigações do juiz Sergio Moro e ter foro privilegiado no STF. Outros 19% acham que ele pretendia ajudar o país. Para 73%, Dilma agiu mal ao convidá-lo. A condução coercitiva do ex-presidente teve apoio de 82% dos entrevistados.

Em fevereiro, 33% dos entrevistados eram contra o impeachment. Agora, eles somam 27%. A reprovação ao governo voltou ao pior recorde: 69% avaliam sua gestão como ruim ou péssima. Entre os eleitores mais ricos (que ganham dez ou mais salários mínimos), o apoio ao impeachment subiu de 54% para 74%. Entre os de mais baixa renda, a taxa de rejeição é de 49%. Para se ter ideia, em 1992, pesquisa Datafolha mostrava que 75% apoiavam a saída de Fernando Collor a um mês do final do processo de impeachment.

INTENÇÕES DE VOTO

A pesquisa levantou ainda a preferência em relação a candidatos às eleições em 2018. A ex-senadora Marina Silva continua à frente, com 21% a 24% das intenções de voto. Se o candidato tucano for o governador Geraldo Alckmin ou o senador José Serra, Lula aparece em segundo lugar. Já se Aécio Neves representar o PSDB, Lula viria em terceiro. Aécio foi o que mais perdeu potenciais eleitores: as intenções de voto para ele caíram de 24% para 19% em um mês. O Datafolha ouviu 2.794 eleitores em 171 municípios de todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Para FHC, presidente precisa ser afastada

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) passou a defender como única saída para as crises políticas e econômica no país o afastamento de Dilma Rousseff pelo Congresso Nacional. “Eu fui passo a passo. Cheguei a defender que ela tivesse um gesto de grandeza e renunciasse”, disse FHC ao jornal ‘O Estado de São Paulo’.

No início do ano, ele chegou questionar a legitimidade de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu na Operação Lava Jato, para conduzir o processo de impeachment na Câmara. Mudou de ideia após os protestos de domingo passado contra Dilma, Lula e o PT. Para ele, a legitimidade do processo não vem do Congresso, mas das ruas.

FHC diz que o PSDB deve participar de eventual governo do atual vice-presidente Michel Temer (PMDB), com ou sem cargos no ministério. “O PSDB não pode dizer ‘eu quero ser ministro’.”

Ministro quer punir vazamento feito na PF

As declarações do novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, de que não vai tolerar vazamentos de investigações, provocaram reações entre entidades que representam policiais federais. A Associação de Delegados da Polícia Federal (ADPF) ameaça ir à Justiça para evitar afastamentos sem provas.

À ‘Folha de S. Paulo’, Eugênio disse neste sábado que, se “cheirar” vazamento por um agente, a equipe inteira será trocada. “Não preciso ter prova. A Polícia Federal está sob nossa supervisão”, disse. Ainda hoje, o ministro reafirmou o papel da PF e ressalvou que excessos serão punidos. “A instituição não está imune a erros, é dever da autoridade afastar o risco ao devido processo legal, para garantir os direitos individuais”, disse.