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Coluna Efeito Borboleta


29 de agosto de 2015 174 visitas

JOGUE LUZ SOBRE SUA MENTE

Nada torna o homem mais completo do que a liberdade.
Aliás, estar livre ou tornar-se livre não é uma tarefa das mais fáceis.
Engana-se quem crê na total liberdade.
Não somos e talvez nunca sejamos totalmente livres.
A liberdade é algo inerente. O homem nasce para ser livre, mas logo ao nascer é cercado de condições, valores e expectativas que um dia poderão não ser as dele. Mas ele é revestido e forjado a ser o querem dele e não exatamente ele.
Como pode se perceber, o que está em questão aqui, a respeito da liberdade, não são as grades de ferro ou aço, algemas ou paredes de concreto, concretas
A referência aqui é feita a nível horizontal, sobre algo muito maior e mais complexo. Ou mesmo mais profunda, verticalmente. Tem a amplitude e a força superiores a qualquer ferro ou aço, porque não é externa ou palpável. É interna e internalizada.
A liberdade aqui é a da mentalidade.
Aquela que é quase inatingível de fora para dentro, mas não impossível.
A necessidade de poder faz com que o “homem se torne lobo do homem”. A tentativa de controlar o ser livre e independente conduz a atitudes sistemáticas de subjugação. Alguns aceitam. Outros não.
Essas tentativas podem ser sutis e ironicamente ingênuas, involuntárias. Mas também podem ser arquitetadas ardilosamente, com a chancela de autoridades autoritárias e nefastas.
Em ambos os casos, o perigo está contido, embora no segundo, a crueldade seja maior, pois é imposta.
O roubo da liberdade individual se dá de duas formas básicas.
Quando a necessidade se faz urgente, ela se manifesta na força, na repressão, na dor.
Quando existe tempo, ela se apresenta na conquista das mentalidades, lentamente, burocraticamente.
A eficiência na conquista, em ambos os casos, é inquestionável, porém, a eficácia não.
No primeiro caso, o poder é conquistado rapidamente, fazendo com que as pessoas se subordinem aos autoritários sob a força das armas, pelo temor da morte e quebrantados pela tortura.
Porém, a sua eficácia é de tempo conjuntural. Uma ou algumas poucas décadas. Como a ditadura militar brasileiro, por exemplo, que perdurou por duas tristes décadas.
Mas em compensação, esse tipo de sujeição tem essa duração mais curta porque fatalmente alguém se rebelará, perderá o medo das armas e inverterá o jogo.
Na segunda situação, a eficácia é de tempo estrutural, são séculos.
O controle nesse caso, não se dá de forma imediata ou forçosa, ela leva tempo, entretanto, conquista as mentalidades.
Uma mente dominada é difícil de ser mudada. Nesta questão, o exemplo usado pode ser o poder exercido pela Igreja sobre as mentalidades, durante a Idade Média.
O medo do desconhecido paralisava e subjugava. Foram séculos de repressão.
O movimento filosófico Iluminista, no século XVIII, combateu esse poder opondo as trevas da ignorância e da tradição, à luz da renovação e da valorização do ser humano.
A partir desse momento, o panorama modificou-se. O medo deu lugar à liberdade de expor o pensamento.
A liberdade de expressão tomou o lugar do recolhimento e da subjugação.
O homem tem pânico de se sentir aprisionado, seja atrás de grades, seja atrás de mitos que aprisionam e produzem uma inércia muito maior que as grades.
É mais fácil lutar contra o concreto, que se vê e se conhece, do que contra o intangível.
Lutemos pela liberdade de pensamento, de escolha e de pronunciamento.
Abominemos a acomodação da mentira verdadeira.
Desejemos a verdade que dilacera, mas liberta.