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COLUNA: EFEITO BORBOLETA


21 de dezembro de 2015 671 visitas

CABE A QUEM?

Reservei um pouco do meu tempo para avaliar uma situação que há muito não me ocorria.
Meu questionamento parte do princípio das motivações que levam professores a cruzarem os braços, apaticamente, diante do caos que estamos vivendo na educação pública desse estado e por que não dizer, do Brasil todo.
O que gera esse total abandono da dignidade e da falta absoluta de forças, para lutar por direitos, que a cada dia nos são usurpados de forma escrachada?
Acredito que venha do fato do poder constituído não acreditar que haverá reação.
É a triste dualidade constatada.
Não vale a pena lutar. Lutar para quê? Está bom assim.
É triste e exasperante ao mesmo tempo.
Fomos robotizados de tal forma, que as mentes e a capacidade de formar opiniões foram devoradas pelos esfomeados zumbis do poder, que nos transformaram em seres catatônicos e sem vida, que perambulam esperando pelo próximo comando, servindo-se das migalhas.
Fico amedrontado.
Lutar? Lutar sim.
Fazer greve? Claro.
Formamos opiniões. Essa realidade é inerente à função do professor. Mas como formar opiniões se não temos nem as nossas próprias?
E ainda queremos nos intitular educadores?
Quanta pretensão!
Não educamos ninguém.
Muito mal disseminamos informações que ninguém mais quer ouvir.
Onde está a capacidade de intervenção no status quo? No senso comum?
Esquecemos de tudo para cumprirmos regras de boas maneiras para respaldar os gratificados, que estão interessados em forjarem seus alcances de metas.
Somos apenas as escadas deles e nos curvamos para que eles subam e apareçam.
Faço uma intervenção numa situação, que para mim, e quero deixar claro que é uma reflexão minha apenas, tem sido um dos agravantes para a apatia mencionada.
De alguns anos para cá, notabilizaram-se e disseminaram-se as formações à distância, principalmente na área de educação.
A lei de diretrizes e bases de 2006, que rege a educação brasileira, determinou no ano de sua publicação, a Década da Educação, já que muitos professores não possuíam curso superior. Era o prazo para que todos se habilitassem. E o sistema forçou para a formação plena dos docentes.
No caminho para a facilitação dessas habilitações, os cursos de licenciatura foram chegando às pessoas e possibilitando à distância, de forma semipresencial ou mesmo em períodos mais curtos, a formação desses docentes. Ótimo!
Outra alternativa foi a formação docente de profissionais de outras áreas, tais como engenheiros, enfermeiros, biólogos, veterinários, entre tantos outros profissionais, que se tornaram professores ou seja, em primeira instância não eram professores. Aliás, a última leva de professores de carreira, já completam atualmente, no mínimo 20 anos de trabalho, a imensa maioria com menos tempo que isso, são egressos de outras carreiras, se dizem de passagem e acabam ficando, somando-se aos demais, sem se comprometerem.
Creio que nas duas situações citadas, fica comprometido o mais importante, a dialética do professor em formação.
Não ponho a prova o conhecimento acadêmico e técnico.
Professores terminam seus cursos com competência curricular inquestionável, mas me refiro ao dia a dia da sala de aula na formação superior. As discussões que elas possibilitam, e que são essenciais para aqueles que se propõem, ao saírem dali, formarem cidadãos plenos e capazes de decidirem sobre seu destino.
Penso que isso está se perdendo.
Os professores estão terminando seus cursos preparatórios para ingressarem nas salas de aula, sem terem tido a oportunidade, ao longo dos anos de estudo nas universidades, de dialogarem e principalmente, tomarem consciência de classe, já que não se encontram. Estão sozinhos em suas casas, estudando os currículos acadêmicos.
Dessa forma, se tornaram presas fáceis e inocentes de um sistema achacador, que nos oprime descaradamente sem que nada façamos.
Grande estratégia, que nos divide entre aqueles que trabalham e nada ganham e aqueles que ganham para fiscalizar e dedurar.
De que lado você faz parte?
Ou você não faz parte de lado nenhum e vive isolado em sua própria ilha da fantasia?
Ainda há tempo!
Tempo de união para mostrar que acima da disciplina que cada um leciona, muito bem e com todo empenho e esforço para alimentar os sistemas de conexão que são impostos, somos capazes de reivindicarmos nosso direito e fazermos valer nossa posição na sociedade, sem nos tornarmos reféns da comunidade que tem pena ou raiva de nós, por contribuirmos para a formação dos filhos dela como se fosse um favor prestado.
Dignidade urgente.
Só nos podemos fazer algo em prol da mudança.
Seja o autor da sua história.