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Beltrame reconhece que crise financeira compromete segurança


8 de março de 2016 316 visitas

Secretário reclamou que orçamento prometido ainda não foi cumprido.
Ele admitiu ainda que tem ocorrido redução de pessoal nas UPPs.

Diante dos recentes episódios de violência em comunidades com Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, reconheceu que a crise financeira no estado compromete a política de segurança.
Em entrevista exclusiva ao RJTV nesta segunda-feira (7), disse que não pode responder pelo impacto que a crise provoca na pasta. Ele afirmou que o orçamento previsto para a segurança atende às necessidades, mas que ainda não recebeu o repasse devido.
“Seria leviano da minha parte dizer que isso [crise financeira] não prejudica [a política de segurança]. Claro que prejudica. Se eu te disser que o seu salário vai ser reduzido, obviamente isso vai ter um impacto na vida de qualquer um de nós. Mas eu acho que essa demanda não é minha. Essa demanda é da Secretaria de Fazenda, essa demanda é da Seplag [Secretaria de Planejamento], essa demanda é da Casa Civil. Se chegar o dinheiro na secretaria, tudo vai funcionar, vou pagar quem tem que ser pago. Se não chegar na secretaria, obviamente eu não vou poder fazê-lo. Isso não depende de mim”, disse.

“Se esse orçamento que você tem, que é um orçamento nominal, se ele se tornar líquido, se ele se tornar financeiro, obviamente que sim. Nós temos um orçamento excelente, que de R$ 2 bilhões pulou para R$ 9 bilhões. Mas esse orçamento hoje ele é nominal, eu não tenho ele à disposição, eu não tenho ele líquido, me foi liberado uma parte disso. Então, na medida em que isso acontecer, se ele efetivamente for tornado líquido, não há problema que os projetos todos vão ser feitos”, destacou.

Redução de efetivo em UPPs
Ao ser questionado sobre a diminuição do número de policiais militares lotados em Unidades de Polícia Pacificadora, o secretário afirmou que não houve corte de pessoal em função da crise financeira. Ele afirmou que muitos policiais pedem para sair.

“A redução de efetivo em UPP que teve não se deu praticamente por falta de recurso. O que acontece é que o programa, na verdade, tem oito anos. Tem muita gente que quer sair, tem muita gente que quer ir para o interior, tem muita gente que quer ser substituída, tem muita gente que tem curso para fazer, principalmente oficiais”, afirmou Beltrame, destacando que em breve irá anunciar um plano para aumentar o efetivo das UPPs.

A UPP Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, considerada modelo do projeto de pacificação, registrou na sexta-feira (4) a primeira morte em confronto entre policiais militares e traficantes em sete anos. A comunidade voltou a conviver com tiroteios, o que tem preocupado os moradores.
“A gente fica logo preocupado, tanto com a nossa saída como a nossa vinda e com nossos familiares também, né?”, disse uma moradora do Santa Marta que não quis se identificar. “Eu fico com pena do que está acontecendo, porque o povo mora aqui tem que sair para trabalhar, tem que vir pra cá, a sua vida, criança pra escola, no médico, enfim”, reclamou outra.
Entre a noite de sexta e a madrugada do sábado, um homem morreu durante troca de tiros entre PMs e criminosos. Dois outros foram presos. A polícia encontrou armas e material para embalar drogas. No domingo, com policiamento reforçado, teve mais uma apreensão de cocaína, maconha, crack e farta munição de pistola.
Também no domingo, dois policiais foram atacados na Parque Alegria, no Caju. A PM diz que tentava conter um homem que estava atirando garrafas na direção deles. Houve confusão e um grupo começou a atirar pedras e garrafas nos policiais, que ficaram feridos e foram levados pro Hospital da Polícia. O Batalhão de Choque foi chamado e o policiamento precisou de reforço.
No morro dos Prazeres, em Santa Teresa, um suspeito morreu durante uma operação da Coordenadoria de Recursos Especiais, a CORE, no sábado de manhã. Um morador de 52 anos que estava indo comprar pão acabou baleado. Os policiais procuravam os suspeitos de atirar em um delegado em Laranjeiras, numa tentativa de assalto na noite de sexta-feira.

Se acordo com o secretário José Mariano Beltrame, a ação que terminou com uma pessoa morta na comunidade Santa Marta ocorreu após ameaças de ataques criminosos. Segundo ele, o comando da UPP local fez uma apreensão significativa de drogas e, a partir então, receberam a informação de que seria feito um ataque na comunidade. “Conseguimos, Graças a Deus, antecipar este ataque do qual nós vínhamos sendo informados”,
Beltrame ressaltou que o comércio de drogas ainda é uma realidade nas comunidades do Rio, mas garantiu empenho em combatê-lo. “O tráfico não vai desistir de determinados pontos que são rendáveis de droga. Mas nós estamos atento e sabemos quem é, já identificamos algumas pessoas, e vamos seguir com essas investigações para prender essas pessoas”.

Futuro das UPPs
Ao fazer um balanço do projeto de pacificação, Beltrame disse que ocorreram várias conquistas e que as UPPs têm conseguido cumprir com o papel para o qual foram pensadas. Ele reconheceu, no entanto, que ainda há muito a avançar.

“Eu acho que nós estamos hoje num estágio onde você tem muito menos armas do que você tinha, você tem hoje muito menos crimes dentro desses lugares onde você tinha, se houver e acontecer crime lá dentro as pessoas podem ir numa delegacia registrar e a polícia ir lá investigar e prender. É lógico que eu não vou dizer que nós vivemos num mundo perfeito, num mundo ideal, que todos nós planejamos e nem temos hoje os efeitos que causou na população há oito ou dez anos atrás, mas eu acho que o quadro hoje é significativamente melhor do que era antigamente”, ponderou.

Sobre os projetos previstos para as UPPs, o secretário destacou a execução de obras em algumas comunidades para poder ampliar a atuação. “Estamos passando por uma reconstrução e construção de algumas bases que nós estamos fazendo, principalmente dentro do Complexo da Penha e do Alemão, para que a gente possa colocar ali policiamento em pontos que os comandantes acham importante para que se evite que certas pessoas atravessem a comunidade. Não é um trabalho fácil. É um trabalho difícil, nós temos um número muito grande de menores envolvidos nessas atividades, não temos mais assim lideranças significativas”, destacou.

Questionado sobre a implantação de UPP no Conjunto de Favelas da Maré, prevista para maio de 2015, Beltrame disse que ainda não foi efetivada por falta de estrutura física. “Até agora não houve porque não houve obra e se não tem obra eu não vou botar policial sem obra”, disse.