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“A Uerj está sendo sucateada”, diz reitor em carta direcionada ao governo do Rio


11 de janeiro de 2017 159 visitas

Ruy Garcia Marques afirma que o Estado está “forçando o fechamento da universidade”; instituição tem aproximadamente 35 mil alunos de graduação

O reitor da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Ruy Garcia Marques, divulgou nesta terça-feira (10) uma carta uma carta enviada ao governo na qual afirma que o Estado está “forçando o fechamento da universidade”. Anteriormente, o Conselho Universitário da instituição já havia publicado um comunicado sobre a possibilidade de interromper as atividades nas diversas unidades acadêmicas e administrativas em razão da falta de pagamento dos salários, bolsas e verbas de custeio.

O documento foi intitulado como “A Uerj e o Futuro do Rio de Janeiro”. Nele, Marques reforça a condição precária de funcionamento da universidade após os atrasos em pagamentos e repasses de verbas. Os salários dos professores e técnicos, além dos pagamentos a estudantes bolsistas, estão atrasados desde novembro. O reitor afirma que “desprezar o ensino superior, a pós-graduação e a pesquisa é apostar na miséria, na violência e num futuro sem perspectivas positivas”. Diz ainda que “forçar o fechamento da Uerj é não pensar no futuro de nosso Estado e de nosso País”.

A carta também foi assinada pela vice-reitora, Maria Georgina Muniz Washington, e endossada por diversos ex-dirigentes. “A Uerj está sendo sucateada, numa absoluta falta de visão estratégica por parte dos governantes do nosso Estado, a quem incumbe o financiamento de uma universidade pública e inclusiva como a nossa”, diz o documento.

Relevância

Para alertar o governo sobre a necessidade de ampliar os investimentos e regularizar a situação financeira da instituição, o texto destaca que a Uerj é atualmente a 11ª colocada em qualidade entre as 195 universidades brasileiras e a 20ª da América Latina, conforme o ranking da Times Higher Education de 2016. O reitor ressalta ainda que a instituição tem bons resultados na inserção de seus alunos no mercado de trabalho e em produção científica.

“São cerca de 35 mil alunos em seus cursos de graduação, nas modalidades presencial e de ensino a distância, mais de 4 mil em cursos de mestrado e doutorado, cerca de 2 mil em cursos de especialização e 1,1 mil nos ensinos fundamental e médio (Instituto de Aplicação – CAp-Uerj). Além do Campus Maracanã, dispõe-se em 13 unidades externas, constituindo seis campi regionais espalhados pelo estado do Rio de Janeiro, colaborando com seu desenvolvimento regional”.

Além do protagonismo no que diz respeito aos rankings de desempenho estudantil, Marques reforçou as atividades feitas pela Uerj em benefício da comunidade. A instituição é responsável pelo Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), um dos maiores do Rio de Janeiro, pela Policlínica Piquet Carneiro (PPC) e pela Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI).

“Fica clara, portanto, a importância da Uerj no cenário educacional de nosso Estado, bem como seu impacto positivo para a nossa economia, preparando recursos humanos muito qualificados para as áreas da indústria, da tecnologia, do comércio, da educação, da saúde e da pesquisa avançada”, ressalta a carta.

A secretaria estadual da Fazenda informa que os funcionários estatutários da Uerj vêm recebendo os salários junto com os demais servidores, dentro do calendário atual de pagamentos. “Neste caso, a referência novembro 2016 está sendo parcelado em 5 vezes. Foram pagas as duas primeiras parcelas dias 5 e 6 e serão pagas as demais dias 11, 13 e 17”.

A pasta destaca que os repasses continuam sendo feitos à universidade, “mesmo diante da grave crise financeira que o estado atravessa”, mas que, desde o início da crise, “a prioridade absoluta tem sido o pagamento dos salários dos servidores do Estado”.
* Com informações da Agência Brasil